Fomos pro Curitiba. Você quase não foi. Já tínhamos até desmarcado tua passagem, faltava a confirmação. Você quase não foi porque você não queria mais ir, foi por isso. Então como não quis forçá-lo você não iria. Mas no fim, quando te peguei na sexta-feira na tua escola.
- Pai, eu quero ir pro curitiba contigo.
Enfim, fomos. Você fez cada uma.
Chegamos atrasado no aeroporto. Escutamos, quando chegamos... "o vôo 1234 para Curitiba encontra-se encerrado"
pra cá, vai para lá... e você: Não vai dá para ir Pai? Acabou o vôo?
E íamos para um balcão e voltávamos para o outro: O Pai, não vamos para o Curitiba? Era uma peça, naquela tensão, você estava tão tenso quanto nós, de preocupação.
E assim foi. Quase perdemos o vôo Fofão! Mas chegamos e fomos os últimos a embarcar.
No avião, gravei e tirei um montão de fotos.
Ó Fofão tá quase na hora..." atenção senhores passageiros, preparar para a decolagem!"
Pai, é agora que é bem rápido. Sim, repondi. Posso gritar? Pode, ué...
E assim foi. Uma gritaria.... Iupi.... com as mãozinhas para cima... e dava risada... mais rápido que o Flecha, dizia você.
Já lá em cima. " no folheto explicativo no banco da frente você encontrará as instruções"
Você pega o folheto e começa a "ler" as figurinhas:
- ... não pode chorar; não pode usar sapato de mulher; o avião pode andar na água; não pode roubar; não pode fumar (enquanto você lia o homem falou na máscara sobre nossas cabeça)... o Pai, eu não quero usar a máscara, não quero máscara!
- fofão, mas a máscara é só quando estamos gripados?
- ah, mas eu tô gripado e não quero usar máscara!
- Além de gripado elas servem só quando o avião freiar muito forte.
- ah, tá... mas eu não quero máscara. Onde que elas estão, eu quero ver!
- ih meu, tá aqui dentro escondido e não dá para abrir.
Começa uma turbulência.
- Ó fofão, isso aí é que estamos passando por buracos.
- Mas aqui não tem buracos Pai!
- São buracos diferentes fofo, buracos no céu.
- Mas lá na terra tem buracos maiores e não sacode tanto assim.
- É... é que aqui tem buracos diferentes.
... enquanto isso a luzinha do cinto apagava e acendia, e vc ligado, colocava e descolocava o cinto. Ó pai, dá para tirar agora.
- Pai tô com fome! Pai tô com muita fome, de salgado.
- Tá, tá vendo aqueles homens lá na frente e lá atrás. Eles vão trazer a comida.
- O de lá tá mais perto. E esta símbolo aqui, para que é?
- Para chamar os ajudantes quando a gente quer alguma coisa.
- Então vou apertá, tô com fome.
- Não fofo, eles já estão vindo.
- Mas eu tê com fome!
Enfim, fofo. Quando a casinha de comida de trás chegou na nossa fileira as moças não nos serviram. Foram embora. Você foi o último, fofão, ou melhor, nós fomos o último a serem servidos... você comeu e apagou. Acordou só no outro dia.
Você tava pesadão meu. Amanheci com dor nos braços de te carregar no aeroporto.
No outro dia brincamos muito.
No domingo o vôo atrasou. Lá no Curitiba você estava agitado pacas, aliás o dia inteiro. No aeroporto você conheceu um moleque e bateram altos papos. Não parava de apertar o PicaPau. Comeu floquinhos de arros com chocolate. Na entrada para o avião com a tua mochila do homem aranha, você carregou até o nosso assento. No avião você escutou música, brincou, chorou, olhou o texto de novo, olhava para o cinto.... não quis colocar o cinto porque a luzinha estava apagada até a aeromoça te convencer (essa foi bem engraçada) e ah... na espera ainda, no saguão do aeroporto, você se ligou no número do vôo 1949, e quando anunciavam o vôo, ou você perguntava se haviam cancelado ou dizia ó Pai, nosso vôo.
E só na volta você cantou a música do dia dos Pais. Você disse que não podia contar para mim, só no dia dos Pais, no domingo. Era para o encontro do dia dos Pais lá na tua escola, onde você havia ensaiado.
Já no avião, na pista em POA, você cantou algo assim:
Papai você é querido,
Papai do meu coração...
Meu cérebro não está se lembrando mais Pai. Espera aí, ele tá se lembrando.
Papai....

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